A amizade sempre foi e é um dos combustíveis da minha vida. Como poeta então... é quase impossível caminhar sem eles, os amigos. Sempre fui um cara de gangue, de turma, de galera, de patota, enfim, sempre rodeado de gente. Não que todos fossem meus amigos e que eu fosse amigo deles, mas o coletivo era o que imperava, e impera até hoje. Quem é, sabe do que estou falando.
Muitos anos se passaram e são poucos que sobreviveram ao tempo, para minha tristeza e para minha alegria. Coração de poeta é terra que ninguém pisa, quem consegue entender? Não é fácil fazer amizade, e é difícil ter amigos, apesar da quantidade de pessoas que a gente conhece ao longo do caminho. É gente que chega é gente que vai. Tem os que ficam e os que permanecem, entendeu? Juntar gente não é tão difícil, mas...
O tempo passou e os amigos ainda são a vitaminas da minha da alma, o sangue que se alimenta das veias, que mais parecem estradas que levam ao coração. Muita coisa mudou. Mudei também. Estou mais esperto, mais arisco, mais seletivo, mais burro e mais emotivo.
Cada porrada que levo, eu digo: "esta é a última!", e logo estou lá de novo, com a cara pra bater. E quando penso que estou melhorando como pessoa, vou lá e dou mancada também. Roda viva desse sentimento maluco, a amizade. Nem sempre pára no lugar certo.
Nos meus primeiros passos de poeta era comum sentir o apoio das pessoas, coisas do tipo:"Aí, de dou a maior força, se precisar de mim...", pior que eu sempre estava precisando e nas maiorias das vezes quase ninguém percebia, ou fingia que não. Mas que se dane, ninguém tem nada a ver com as minhas escolhas e com os meus caminhos. Uma das coisas que eu sempre soube é onde queria chegar, não quando, mas como. E eis me aqui colocando o polegar na história... Será?
A Vida é irônica. E de boba não tem nada, nós que às vezes pagamos de vítima, assim como eu estou fazendo agora. Já fui ajudado por muitos estranhos e esquecidos por muitos amigos(?).
Em alguns lugares era bem-vindo, em outros roubava a brisa. Para uns dava sorte, para outros, era zica. Vai vendo o dilema. Sair de casa não era muito fácil. Chegar em casa era mais difícil ainda.
Amizade para mim sempre foi tudo. Sou do tempo de ficar de mal, não de fazer o mal.
Hoje parece que é comum para algumas pessoas que estão ao nosso lado nos abraçarem com uma mão, e com a outra, apunhalar-nos com a adaga triste da covardia.
Sei não, tem algo no meu coração que ele não quer falar pra mim. Acho que é bom eu nem ficar sabendo, já tenho amigos de menos.
Mas não é o caso de colocar uma placa no peito: Procura-se amigos.
Amigos não se encontram em portas de imobiliárias ou prateleiras de supermercado.
Não são pedaços de carnes -de primeira ou de segunda-, suspensas no açougue, e nem são miudezas de armarinhos, coisas que estão expostas nas vitrines.
Amigos, os verdadeiros, não se podem contá-los, contam-se com eles, ou não. Quantidade? Qualidade? Ás vezes quem soma só subtrai.
Amigos não têm remédios para as nossas dores, eles são o pronto-socorro, e pronto!
Essa gente, que chamamos de amigos, fica bêbada com a gente, sem se quer colocar uma gota de cerveja na boca. Mentira. Um amigo não te deixa beber sozinho. Nunca.
Rir com um amigo, conhece uma religião melhor? O brilho desse olhar é a igreja mais linda que existe. Uma piada, um poema, juntas, mais parece uma oração. Amigos, Ô glória!
Amigos não são aqueles a quem você pede perdão, mas aqueles que a gente perdoa, sempre.
Os que nos abandonam não são nossos amigos, amigos não abandonam, só não estão presente, nem futuro, e dai? Os momentos, amigos... se liguem nos momentos... O passado passa.
Amigos não são como quinquilharias que se podem comprar e pendurar na parede para que a poeira se encarregue do esquecimento. Tem gente que coleciona amigos como quem coleciona chaveirinhos.
Já perdi muitos amigos, e muitos estavam vivos quando se foram. Uns, se foram bem diante dos meus olhos, a poucos metros de minhas mãos. Não conheço a eternidade, por isso preferia que eles estivessem ao meu lado. Deus me paga.
Vou aproveitar os que estão à minha volta, vai que não tem céu, e se a gente não se encontra mais?
Como se descobre um amigo? Não se descobre um amigo, se cobre os amigos. De ouro, de prata e de abraços.
Se quer ter amigos, seja, eles virão.