A viagem foi insuportável. Viajar de avião é uma sucessão de
filas: fila do check-in, fila do embarque, fila do desembarque, fila da
imigração, fila do táxi. Hoje em dia, pra piorar, você pega um ônibus da sala
de embarque até o avião.
Eles não entendem que se você
viaja de avião é exatamente porque você não queria pegar um ônibus? A comida do
avião, nem precisa dizer, era odienta. Nova York estava um gelo. As ruas são
cheias de brasileiro e kombis de cachorro-quente. Parece Osasco. Só que
nevando.
Os taxistas são todos
paquistaneses ou afegãos e falam inglês pior que você. Passam a viagem falando
no celular -em paquistanês ou afegão. E, no final, você tem que dar gorjeta.
No bar é a mesma coisa. A
cerveja é quente, amarga, sem colarinho e custa uns 20 reais.
Fora a gorjeta. Voltamos de
metrô, que tem um cheiro de cachorro com notas de rato, urina e ovo podre. A
única coisa boa é que a viagem foi com a minha esposa. Ela se diverte com
qualquer coisa.
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A viagem foi uma delícia. Pra
começar, viajamos de avião -podia ser de navio, que seria uma opção muito mais
demorada.
Como a gente tá acostumado a
andar de busão, o pessoal do aeroporto levou a gente num ônibus até o avião,
pra transição entre os meios de transporte ser mais amigável.
No avião, linda surpresa: a TAM
ainda serve comida! E vinho e sobremesa. Foi um festim.
Chegamos em Nova York. E estava
nevando! Foi muito bom pra gente que queria fugir do calor de São Paulo. E
quando a gente sentia falta de casa, era só ir ao Times Square. Só tinha
brasileiros. E kombis de comida!
Parece a rua lá de casa. Só que
nevando! Pegar táxi é uma experiência antropológica. Cada táxi que você entra é
uma imersão em uma cultura distante. A trilha sonora não poderia ser melhor: o
taxista dirige, invariavelmente, falando ao celular em línguas que você nunca
ouviu antes.
Fomos a um bar delicioso, que
teve a ideia brilhante de servir a cerveja um pouco mais quente pra
contrabalançar o frio que estava lá fora. E sem o colarinho, que é um
desperdício de cerveja. E a cerveja tem gosto, ao contrário das brasucas.
Valeu cada centavo. Na volta,
pegamos um metrô. Isso é surreal: eles têm metrô! E funciona até tarde. E passa
na cidade toda. E o cheirinho me lembrou do Jorge, nosso bassê.
Quase chorei de saudade. Não
sei se o meu marido gostou. Acho que ele preferia ter ido sozinho.